Os Mandamentos da Comunicação Eficaz


1) SEJA ADEQUADO - A Língua se parece a um imenso armário - Nele há todos os tipos de roupas. O desafio: escolher a mais adequada para o momento. A piscina pede biquíni. O baile de gala, longo e back tie. O cineminha, traje esporte. Confundir as vestes tem nome. É inadequação.


O mesmo princípio orienta o texto. Horóscopo exige palavras abstratas e genéricas. Dirá que o domingo trará surpresas. Jamais que a pessoa ganhará na loteria ou comprará um carro. Se chamadas, reportagem, telejornais, comentários ou entrevistas usaram a língua do horóscopo, terão destino certo - a lixeira. Não se trata de certo ou errado. Mas de adequado ou inadequado


Pais arrancam os cabelos quando veem a comunicação de moçada nas salas de bate-papo. Ali estão abreviaturas inventadas, troca de letras, signos incompreensíveis. "Não é português", reclamam eles. Enganam-se. É o português adequado à ocasião. Para participar da comunidade marcada pela informalidade e rapidez, o jovem tem de usar o código do grupo. Recusar-se a fazê-lo tem preço. É a exclusão.


2) SEJA CLARO - Montaigne, há 400 anos, disse que o estilo tem três virtudes. A primeira: a clareza. A segunda: clareza. A terceira: clareza. Graças a ela, o receptor entende a mensagem sem ambiguidades. Como ensina Íñigo Dominguez, "uma frase jornalística tem de estar construída de tal forma que não só se entenda bem, masque não se possa entender de outra forma".


3) SEJA PRECISO - A precisão tem íntima relação com as palavras. Buscar o vocábulo certo para o contexto é trabalho árduo. Exige atenção, paciência e pesquisa. Consultar dicionários, textos especializados e profissionais da área deve fazer parte da rotina do repórter.


Quem fala da economia, por exemplo, tem de distinguir o significado de salário vencimento, provento, pensão, subsídio ou verba que os deputados vetaram um projeto: quem veta é o presidente da República. A Câmara rejeita.


4) SEJA NATURAL - Imagine que o leitor, o ouvinte ou o telespectador esteja à sua frente conversando com você. Sinta-se à vontade. Faça pausas e perguntas diretas. Dê ao texto um toque humano. Você se dirige a pessoa de carne e osso.


5) SEJA FÁCIL - No mundo de corre-corre, queremos textos curtos precisos e prazerosos. Rapidez de leitura fisga. Para chegar lá, opte por palavras familiares. As longas e pomposas são pragas. Em épocas passadas, quando a língua era instrumento de exibição, elas gozavam de enorme prestígio. Falar difícil dava mostras de erudição. Impressionava. Hoje a realidade mudou. Impõe-se informar - rápido e bem.


Respeite a memória do leitor. Ele só consegue reter determinado número de palavras. Depois, os olhos pedem um pausa. Escolha um bom título. Prefira a ordem direta. Evite intercalações. Anuncie a enumeração. Vacine-se contra redundâncias, pedantismo e verborragia. Escreva frases curtas: "Uma frase longa", escreveu Vinicius, "não é nada mais que duas curtas",


6) SEJA LEVE - Não canse quem o prestigia. Nem obrigue a ter o dicionário ao lado. Muito menos a voltar atrás para recuperar o que foi dito. Respeite-lhe o tempo, os ouvidos e o bom gosto. Em suma: busque a frase elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir.


7) SEJA RESPEITOSO - Boa parte das pessoas se indigna com palavrões, obscenidades e expressões chulas. Só os acolha em situações excepcionais. É o caso da manifestação de alguém quando a palavra tiver indiscutível valor informativo ou refletir a personalidade de quem a profere. Evite escrevê-la por extenso. A envergonhada terá só a primeira letra grafada seguida de reticências: filho da p...


8) SEJA SURPREENDENTE - Surpresa chama a atenção e desperta a curiosidade. É o gosto pelo inusitado. O chavão vai de encontro a novidade. Palavra ou expressão, tantas vezes repetida, perde o viço. Pontapé inicial, abrir com chave de ouro, chorou um rio de lágrimas, ver como os próprios olhos, cair como uma bomba & cia, tiveram frescor algum dia. Hoje soam como coisa velha. Transmitem a impressão de profissional preguiçoso, desatento e mal informado. Em bom português: incapaz de surpreender.


9) SEJA DINÂMICO - Água parada apodrece. Exala mau cheiro que espanta os próximos e deixa os distantes de sobreaviso. Só o movimento a mantém viva. O mesmo ocorre com a língua. Frases mornas e tediosas afugentam o leitor e o ouvinte. Ele larga a leitura ou desliga televisão ou o rádio e interrompe a navegação na internet. Seja dinâmico. Vá logo ao ponto. Abuse de verbos e substantivos concretos. Prefira a voz ativa. Fuja de adjetivos e advérbios. Evite palavras longas e pomposas. Opine. Não ache.


10) SEJA GENTIL - As palavras carregam carga ideológica. Algumas mais, outras menos. A sociedade está atenta aos vocábulos que reforçam preconceitos. Fuja deles. Cor, idade, peso, altura, origem, condição social e preferências sexuais são as principais vítimas.


Gentileza não se restringe a palavras. Atinge os períodos, passa pelos parágrafos, chega ao texto completo. Ao se expressar, fuja do nariz de cera. Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que desperte o interesse e estimule a vontade de avançar até o fim. Aí, oferaça o prêmio cuidadosamente escolhido: um fecho marcante, tão forte quanto a introdução. Lembre-se: a última impressão é a que fica. Sempre, principalmente no texto.


Formação M4


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